Paralisação
Greve dos Correios tem adesão de 70% em Pelotas
Desde a noite da última segunda-feira, categoria está mobilizada e sem previsão de retomada
Carlos Queiroz -
Os trabalhadores dos Correios em todo Brasil decretaram greve às 21h da última segunda-feira (17). A Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas dos Correios e Similares (Fentect) informou que não há prazo para o fim da paralisação. A entidade estima que mais de cem mil trabalhadores estejam parados. Em Pelotas, a adesão ao movimento grevista é de 70%.
De acordo com o site da Fentect, a empresa revogou o atual Acordo Coletivo, em vigência até 2021. Ao todo, 70 cláusulas do documento foram retiradas, nas quais citam direitos como: adicional de 30% de risco, vale-alimentação, licença-maternidade de 180 dias, auxílio-creche, indenização de morte, indenização por morte, auxílio para filhos com necessidades especiais e o pagamento de adicional noturno e horas extras e entre outros. A entidade ainda afirma que tenta dialogar com o Correios desde o início do mês de julho.
O diretor da subsede de Pelotas do Sindicato dos Trabalhadores em Correios e Telégrafos do RS, Emerson Saes, explicou que o último concurso realizado com foco na contratação de novos funcionários foi em 2011. “A nossa categoria está envelhecida. Isso é uma ação para tornar a empresa mais agradável à iniciativa privada, ou seja, uma preparação para uma futura privatização”, salientou.
Nas agências da cidade não passa de 20 o número de funcionários que seguem trabalhando - muitos pertencentes a cargos de chefia -, informou o Sintect-RS. Em razão da pandemia, a demanda dos funcionários aumentou significativamente por conta das compras on-line e envio de pacotes entre municípios e estados. Ainda, a Fentect e os sindicatos de diversas regiões do país precisaram recorrer à Justiça para garantir equipamentos de segurança, álcool em gel, testagem e afastamento dos grupos de risco e coabitantes.
Nesta terça-feira, ocorreu um debate virtual promovido pela Federação para fazer um balanço do primeiro dia de greve dos trabalhadores.
Funcionamento das agências
As agências estão funcionando e os serviços estão disponíveis, informou a empresa. Por meio da conta oficial no Twitter, o Correios explicou que colocou em prática o Plano de Continuidade de Negócios. “A rede de atendimento dos Correios está aberta em todo o país e as encomendas, inclusive Sedex e PAC, continham sendo postadas e entregues em todos os municípios”, publicou. Por meio de sua assessoria de imprensa, a empresa destacou ainda que tem como objetivo primordial cuidar da sustentabilidade financeira da empresa, “a fim de retomar seu poder de investimento e sua estabilidade, para se proteger da crise financeira ocasionada pela pandemia”. Outras informações sobre o serviço podem ser obtidas pelo 0800 725 0100 ou então no site correios.com.br. Confira a nota na íntegra:
"No momento em que pessoas e empresas mais contam com seus serviços, a estatal tem conseguido responder à demanda, conciliando a segurança dos seus empregados com a manutenção das suas atividades comerciais, movimentando a economia nacional. Desde o início das negociações com as entidades sindicais, os Correios tiveram um objetivo primordial: cuidar da sustentabilidade financeira da empresa, a fim de retomar seu poder de investimento e sua estabilidade, para se proteger da crise financeira ocasionada pela pandemia. A diminuição de despesas prevista com as medidas de contenção em pauta é da ordem de R$ 600 milhões anuais. As reivindicações da Fentect, por sua vez, custariam aos cofres dos Correios quase R$ 1 bilhão no mesmo período - dez vezes o lucro obtido em 2019. Trata-se de uma proposta impossível de ser atendida. Respaldados por orientação da Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (SEST), bem como por diretrizes do Ministério da Economia, os Correios se veem obrigados a zelar pelo reequilíbrio do caixa financeiro da empresa. A empresa propõe ajustes dos benefícios concedidos ao que está previsto na CLT e em outras legislações, resguardando os vencimentos dos empregados. Assim, a estatal persegue dois grandes objetivos: a sustentabilidade da empresa e a manutenção dos empregos de todos."
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